Não
adianta. Quem escreve não deixa de ser triste. É uma essência entre outras, por
certo, mas está lá. Uma tristeza infinda. Como uma tatuagem, marca a alma de
quem escreve. Se não for assim, não escreve. Não tem jeito. Então, vez ou
outra, lá venho eu com minhas lamúrias. A de hoje é aquela, antiga, que a gente
ouve por aí todos os dias [ou quase]: tudo passa. E passa mesmo. Passa de um
jeito tão rápido que, por mais que a gente saiba disso e sinta que está
preparado sempre se surpreende. Quando se dá conta, abre bem os olhos ou os
fecha momentaneamente – quem sabe tentando resgatar a imagem ‘amarrada’ à lembrança
– e constata, aturdido: já passou. Chamem do que quiserem. Nostalgia, por
exemplo, é uma palavra linfa e figura por si só toda uma legião de sensações,
sentimentos, lembranças vivas. Não importa o nome que se dê. Dói. E mesmo que
se tenha aquela frase pronta em mente, gravada ali a ferro e fogo, quase que
por uma obrigação de toda uma geração [“...eu não me arrependo de nada do que
fiz”] , sente-se a dor que é muito, muito próxima de um arrependimento. A gente
se arrepende, sim. De ter passado. De não ter agarrado aquele momento um tanto
a mais. De não repetir vários outros momentos. A gente se arrepende de ser tão
passageiro em meio a um infinito que se expande e expande. Dói. Não importa o
que digam. Isso não quer dizer, em absoluto, que tal dor seja ruim e que nos
leve a terríveis
Depressões.
Não. É da vida. A dor é da vida, sim. Para cada um rima de um jeito. Mas rima.
E o que passa fica ali, feito uma cena que acontece do lado de fora de uma
janela. A visão meio embaçada tira da gente a sensação de que quase pode tocar
o que se foi e, de novo, estar lá.
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[imagem: kelly rosen]

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