Dói
aquela dor de que não se pode escapulir. E não
há um só canto de quarto, um galho de árvore, terraço de prédio onde se
possa se resguardar desta dor. Ela acena
e em seguida penetra, sem nada dizer. Nenhum anjo pode acudir antes que ela se
instale. Nenhuma canção pode dela falar com propriedade. Porque, na verdade,
ninguém entende a dor do outro. Dói em silêncio porque o grito se perde no
vento que assola a cidade, à noite. Noite mais negra que todas as outras. É
quando a impaciência veste-se de tintas escuras e outras –poucas- claras, para
compor uma sentida aquarela entristecida. E escreve seus poemas como quem faz
chover estrelas. Do alto de uma torre feita de sonhos que estão prestes a
desabar.
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[imagem: aglaé gil]

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