Então,
uma amiga contou-me a longa história sobre os destemidos grãos-de-bico a
festejarem, dentro de uma panela de pressão, seu cozimento rápido e forçado.
Não parece nada interessante, contudo havia uma riqueza de detalhes contada de
forma tão graciosa e simples que tamanha espontaneidade deu-me a sugestão de
lembrar que fazer amor com a vida é tudo isso. É fazer qualquer coisa com um
prazer de encher os olhos de beleza e de água a boca, ou o estômago de
borboletas miúdas. E cozinhar o grão-de-bico. Por que não? Principalmente se
desse fato a gente puder tirar uma história, uma animada conversa ali, na
esquina, enquanto se paga a conta ou fazendo uma outra coisa qualquer. É. Fazer
amor com a vida nos traz estelares orgasmos. Aquele gozo que somente quem não
tem medo de pôr a mão na massa sabe e pode sentir.
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[imagem: inês barros]

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