Nem
todas as noites veriam meu medo e minha solidão. Era tempo de reconhecer as
ranhuras da alma por onde passariam, desde sempre, as águas de alguma dor.
Serei, até o fim, a minha eterna mania de buscar um abrigo àqueles pequenos
demônios que nascem anjos depois de morrerem, dispersos, nas montanhas que
tocam o céu de uma mesma e infinita escuridão. E tudo o que não pode ser dito
será engolido depois de deixar na boca o gosto inconfundível do que está entre
o fel e o mel.
___________
[imagem: gil bruvel]

Nenhum comentário:
Postar um comentário