Ninguém
me contou. Eu vi. Foi em um sábado que ele partiu o coração delicado da moça.
Era um dia para não ser esquecido, já que se enfeitara toda para esperar por
ele e, além disso, era dia da padroeira da cidade. A festa era ruidosa, a
igreja ficava no quarteirão seguinte ao da casa onde morava e ela pensou que os
dois iriam passear para saborear, juntos, todos os olhares de inveja das outras
moças da cidade e morder juntos as maçãs-do-amor que dona Cotinha iria vender
na barraquinha decorada com corações vermelhos. Deram duas, três, quatro, cinco
horas e ela no portão, esperando. O vento já estava ficando frio e ela entrou
para vestir um casaco de ban-lon sobre o vestido rosa. A tarde caía rapidamente
e surgiu uma estrela no céu quando ele finalmente chegou. E chegou para dizer,
sem sorrir, que estava de partida. Foi quando eu vi que ela chorou uma lágrima
fria. Ele nem percebeu. E partiu. Da igreja, a música chegava aos pedaços, por
conta do vento. Aos pedaços, ela gelava por dentro, por conta da dor.
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[imagem: heyapplex]

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