Uma amiga, certo dia, deu-me uma frase que, vez ou outra, retiro da
gaveta.
Ela disse: "A ausência é a nossa ferida".
E, porque a ausência se repete e não sacia a sede de nós, amanhece e
anoitece crescendo sem medo e arrasadora. Mancha dolorida, água que esvazia,
sentimento que não cabe em lugar algum. Os ausentes, estes são segredos em nós.
E são nós de cordas em nossos segredos. E, porque se tornam uma ferida grande e
dolorida, estarrecem e desmancham o sagrado, que é a nossa presença por seus
caminhos frios. Que as lágrimas, as que não preenchem o vaso, sirvam para lavar
a dor da ferida e preparar a pele para os novos ventos do sul ou do norte.
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[imagem : erika gaier]

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