Há
coisas que não digo, não. Porque não as sinto. Porque ainda não as senti.
Porque não delas sei. Então eu as observo de longe, enquanto estão sendo
aprendidas por outras pessoas e reconhecendo que talvez logo cheguem até mim.
Como as palavras que colocam na boca da gente. Como as situações que alguns
invertem para se colocarem numa posição diferenciada assim nos transformando em
algozes. Foram muitas. Foram tantas que eu não saberia de todas elas para
contar e transcrever. Nem haveria por que fazê-lo. O fato é que o silêncio na
maioria das vezes é o amigo mais provável e verdadeiro de uma pessoa.
Principalmente de uma mulher. O que não digo está por aí. Porque não sinto.
Porque aprendo dia após dia a prezar o que sei e o que aprendo. Fico olhando a
uma distância respeitável e respeitosa. O que ainda não sei bem sabe a hora de
chegar até mim. Já não corro, não tento submeter a vida. Um pouco vou. Outro
pouco, ela vem. Equilíbrio. E alguma paz.
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[imagem: aglaé gil]
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