A vida é, para mim, como um mar. Porque ela também se refaz de tal forma e em nuances diversas, que fico parada à beira do cais, pálida e perplexa. Atrás de mim, séculos de vidas vividas fio a fio, passo a passo. Sorrisos e lágrimas. Angústias e alegrias em mulheres de olhos vivos e atentos. Formamos uma longa e colorida trama. Todas elas e eu também. Porque agora era a minha vez de fazê-lo e de percorrer os campos que hoje são cidades costuradas por avenidas e viadutos, sob o mesmo céu anil. Os rostos delas me mostram um sorriso enigmático. Sou apenas mais uma de uma longa dinastia de mulheres de bem. De mulheres que escolheram traçar seu destino seguindo rumos que, para muitos, não tinham explicação. Muito menos aceitação. Eu mesma rompi com várias convenções. Não quis me deixar vencer. Não sei dizer, agora, se isso foi bom ou ruim. Foi simplesmente o meu modo de encarar a vida. O que é bom? O que é ruim? Os olhos acesos de mulheres que me precederam não respondem às minhas perguntas, mas seguem meus passos e são personagens de minhas tramas, porque elas têm a força que supera o tempo. É como se eu pudesse, do olho do furacão que vez por outra varre minha alma, ouvi-las dizer que, ainda e sempre, vale a pena. Acredito. O furacão de uma mulher pode tornar-se brisa quando ela tem a certeza de que nasceu sob o signo da esperança.
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[imagem: sue adams]

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