O
amor, naqueles dias, era tão voraz que tinha fome até do medo. E me
consumia.Até que me faltasse toda a seiva que me tornava fértil de sentir, eu
teimei até que obedeci à queima dos vastos campos de mim. Até que eu desse de
cara com minha verdade mais tocante: alma deserta, forjada sob um fogo sem fim.
O amor, nos dias que se estendiam sem que o sol saísse da posição mais alta,
secava e cegava meus olhos. Meus olhos que só sabiam chorar como se, com isso,
fossem encharcar a terra e matar o deserto que se fizera de mim. O amor,
naqueles dias, não era amor. Era uma sede inquietante que nada conseguia
saciar. O sal das lágrimas apenas confirmava a aridez onde me deitei, tão muda,
tão febril. Não. O amor nada tinha de amor. Era mais uma tragédia grega que
agora jaz sob a terra partida do mais esquecido sertão de mim.
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[imagem: behance.net]

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