Quantas
vezes eu entrei pela pequena porta
daquele relógio e voltei para o colo de meu avô? O tempo, em minha vida, com
exceção de alguns intervalos necessários, foi marcado pelo tique-taque
constante, quente, algo triste, desse velho e simples familiar. O nosso
relógio, o relógio do 'nono'. Ele ainda bate forte como o coração que eu sentia
bater, enquanto meu avô contava histórias e me fascinava com a magia de sua voz
grave e mansa e seus meninos olhos azuis. O tempo. O tempo. Este é um mestre
que leva e traz para nós as nuances da vida. Vida vivida plenamente. Intensa e
amorosamente. E ainda moram os sons na mente menina que jamais saiu de lá, de
dentro do relógio, o velho relógio - quase o colo, de meu avô.
_________________
[imagem: aglaé gil]

Nenhum comentário:
Postar um comentário