Engraçado
como lembranças são flashes a espocarem na mente. Algumas como que arrancadas
de um tempo de que nem se sabe que há memória útil. Como a primeira que tenho,
de mim com consciência de mim. Minha mãe dando-me de comer - a mão branca dela
e cheirosa, ornada por uma aliança de ouro amarelo e aproximando uma colher de
prata de minha boca. Então uma porta se abre. Estamos na cozinha. O sol entra
invadindo todo o aposento e me causa uma espécie de arrebatamento. Sinto aquela
luz forte tomar conta de tudo e cegar-me. A sombra, a entrar, é minha irmã. Ela
veste seu avental de grupo escolar. Um pequeno coração acelerado a sentir o bom
cheiro de sabonete da mão de mamãe. E ouvindo a voz dela e de minha irmã a
trocarem algumas impressões sobre o dia. É minha primeira lembrança. É forte e
viva. É como uma conta em um longo rosário de pedras coloridas que foi se
formando. Foi se fazendo eu.

É uma memôria muito forte e bonita.
ResponderExcluir