segunda-feira, 25 de maio de 2015

________________amiga










Ontem, pensei muito em uma amiga, companheira de batalhas plurais. E, por me lembrar dela, lembrei-me daqueles dias. Foram dias difíceis aqueles, sim. Estivemos todos a um passo da entrega, do desengano. Os dias não brincavam mais. As ruas viviam o dia e morriam a noite, vazias. Mas por algum precioso milagre [como se milagre não fosse por si só precioso até demais], nós nos demos as mãos e descobrimos a nossa gana crescendo e o céu se abrindo para soltar borboletas. Estava assinado no bilhete que as trouxera: Luta, sobrenome Esperança. E lá fomos. E fomos nós. Até poder ver os dias brincarem novamente. Mas será que eles brincam, de fato? Ou fomos enganados, entretidos por sonhos e circo? Eu pouco a vejo, hoje, a minha amiga. Quando a vejo, parecemos estar sempre com muita pressa, nossa conversa é ligeira, repleta de banalidades sociais quase que obrigatórias. Na despedida, prometemos muito. Nada cumprimos.  E a vida segue o ritmo tão próprio. Ela tem netos e vive com eles. Eu sou família de uma, não conheço a inebriante vida dos avós. Não desgosto de crianças, mas não tenho ímpeto por elas. De algum modo, e isto é tudo, vivemos as duas jovens e idealistas num ponto cardeal do tempo - lá, somos nós as netas, as filhas, logo em seguida as jovens mães. Lá ficamos. Muito de nós lá ficou.


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[imagem: via providence]



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