Estive lá e, no dia seguinte,já não havia ninguém. De modo que não sei
se tudo o que vi e vivi por ali não passou de mera viagem de minha imaginação
quixotesca.Do portão em diante, contudo, agora percebo, o jardim é um amontoado
de galhos ressecados e uma pequena fonte seca jaz como o todo o ar em torno de
mim Então, como em apenas um dia o jardim que era como o limiar de um olimpo
risonho, transformou-se nesse nada angustiante? Chamei pelo nome uma, duas,
três vezes e mais. Nada me devolveu o som, nem mesmo algum eco distraído. A
casa desbotara. A vida em torno e dentro dela desbotara e a poeira assentara-se
como acontece se depois de danças e festas descansasse em sono eterno. E eu,
empobrecida, senti que precisava mesmo me resignar e fustigar essa minha mania
de viajar para dentro e pelos arredores de mim, criando coisas, pessoas e
lugares como quem de tudo participa e a tudo desvenda e vê. Do portão para fora
- eu já de saída, a imagem mais exata da decepção - a rua tinha alguns sons
abafados e o sol aquecia, modorrento, como num início de tarde de janeiro. Mas
ainda ontem, ali mesmo, era o frescor de abril! Desci a ladeira, depois que, da
esquina, acenei em pensamento para mais um cenário de meus devaneios. Ali
estariam para sempre alguns rostos e fatos que me haviam emocionado, encantado,
enamorado apenas um dia antes. É. Ficariam guardados de um modo que eu jamais saberia
exatamente qual e em sua festa fariam seus próprios comentários sobre a
peregrina que por ali passara em pleno acontecimento do nada.
Na ladeira, meninos brincavam e a bola quebrava uma vidraça. Seria
aquela beleza mera apenas uma quimera também?
Sorri para mim e, porque sorri, segui.
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[imagem: via bloohaz]

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