Eu
bebo do copo meio cheio e relato minhas horas em folhas de papel que vão se
acumulando como pedaços de mim. Escrevo a lápis. Não porque pretenda apagar as
palavras, mas porque agora voltei às origens de meus escritos e de minha
caligrafia. O lápis desliza e vai tecendo de maneira mais fluente cada palavra,
cada frase. Eu bebo do copo meio cheio. E recebo dos dias um tanto de brisa, um
tanto de chuva e o pó que se acumula sobre os móveis antigos. Mas antes de
assentar sobre eles, a poeira fez pequenas luzes coloridas pelo ar enquanto eu
observava, encantada, a sua dança. Assim minha quietude se abraça e se deita
bocejando mais letras. Bebo do copo meio cheio. Porque prefiro assim. E para
quem prefere beber do copo meio vazio, entrego a caixa repleta dos benefícios
da amargura. Se é que ela tem algum.
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[imagem: manfred juergens]

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