segunda-feira, 25 de maio de 2015

_____copo meio cheio







Eu bebo do copo meio cheio e relato minhas horas em folhas de papel que vão se acumulando como pedaços de mim. Escrevo a lápis. Não porque pretenda apagar as palavras, mas porque agora voltei às origens de meus escritos e de minha caligrafia. O lápis desliza e vai tecendo de maneira mais fluente cada palavra, cada frase. Eu bebo do copo meio cheio. E recebo dos dias um tanto de brisa, um tanto de chuva e o pó que se acumula sobre os móveis antigos. Mas antes de assentar sobre eles, a poeira fez pequenas luzes coloridas pelo ar enquanto eu observava, encantada, a sua dança. Assim minha quietude se abraça e se deita bocejando mais letras. Bebo do copo meio cheio. Porque prefiro assim. E para quem prefere beber do copo meio vazio, entrego a caixa repleta dos benefícios da amargura. Se é que ela tem algum.

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[imagem: manfred juergens]


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