E
havia o velho moinho. Era da idade de minha imaginação. Fazia o cenário ser
perfeito. Eu me pergunto, hoje, o que foi feito dele. Onde foram parar as
hélices encantadas que rodavam o vento enquanto cantavam as juntas barulhentas?
Depois de tanto medo, de tanto distanciamento, voltar às antigas ruas de minha
vida: então eu era novamente a menina corajosa, repleta da melodia da
imaginação. Mas sentir a falta do velho moinho me fez lembrar de que fui uma
menina temerosa também. Os gritos me assustavam a tal ponto que eu nada podia
ouvir além daquele som estridente. Nada, nem uma palavra sequer - foi um tempo
em que havia apenas o medo.
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[imagem: aglaé gil]
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