segunda-feira, 25 de maio de 2015

______portas e janelas












Às vezes a gente abre uma porta ou mesmo uma pequena janela. Outras vezes, a gente fecha com trancas, travas, cadeados e joga a chave fora, como que cuspisse no chão antes de sair. Erramos muito. Em alguns casos, erramos tudo. Alguns dos erros tantos que cometi foram tão lamentáveis que eu sinto minha alma corar de vergonha. Mas é algo meu. São falhas minhas e com elas aprendi lições preciosas. Continuo aprendendo, jamais chegarei a uma formatura nesse curso intenso e humano. Errei com pessoas e, muitas delas, sofreram porque eu devo tê-las confundido com minha maneira de ser. A carência é muita, em todos. É tanta que quando você acena com um gesto educado e gentil, conquista para sempre a "obrigação" de pertencer a quem agradou, por pura atitude natural, espontânea. Isso me assusta e afasta. Tenho problemas com elos desse tipo. Errei por me fazer próxima, muitas vezes, de quem eu não desejava de fato conhecer. Defeitos contra os quais combato sempre e recaio - não sem uma sensação de ser estúpida. E humana. Miseravelmente humana. Talvez minha paixão pelas pessoas de um modo geral e observadora delas, de seus sentimentos seja mesmo uma faca de dois gumes. Há algumas portas fechadas, sim, na sala redonda em cujo centro eu me vejo, vestida de impaciência e algum temor. Há espelhos e, neles, vejo a menina má que também sei ser. Sem saber que sei.

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[imagem: aglaé gil]





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