Às
vezes a gente abre uma porta ou mesmo uma pequena janela. Outras vezes, a gente
fecha com trancas, travas, cadeados e joga a chave fora, como que cuspisse no
chão antes de sair. Erramos muito. Em alguns casos, erramos tudo. Alguns dos
erros tantos que cometi foram tão lamentáveis que eu sinto minha alma corar de
vergonha. Mas é algo meu. São falhas minhas e com elas aprendi lições
preciosas. Continuo aprendendo, jamais chegarei a uma formatura nesse curso
intenso e humano. Errei com pessoas e, muitas delas, sofreram porque eu devo
tê-las confundido com minha maneira de ser. A carência é muita, em todos. É
tanta que quando você acena com um gesto educado e gentil, conquista para
sempre a "obrigação" de pertencer a quem agradou, por pura atitude
natural, espontânea. Isso me assusta e afasta. Tenho problemas com elos desse
tipo. Errei por me fazer próxima, muitas vezes, de quem eu não desejava de fato
conhecer. Defeitos contra os quais combato sempre e recaio - não sem uma
sensação de ser estúpida. E humana. Miseravelmente humana. Talvez minha paixão
pelas pessoas de um modo geral e observadora delas, de seus sentimentos seja
mesmo uma faca de dois gumes. Há algumas portas fechadas, sim, na sala redonda
em cujo centro eu me vejo, vestida de impaciência e algum temor. Há espelhos e,
neles, vejo a menina má que também sei ser. Sem saber que sei.
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[imagem: aglaé gil]

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