Sim,
eu me lembro de Anete. Eu ainda era uma menina, mas a via passar. Os cabelos
dela se derramavam em cachos pelos ombros. Cascatas castanhas.O movimento
ritmado acompanhava o das ancas largas e só era surpreendido pelo vento. Anete deixava
pelo ar um cheiro de sabonete Lux. O de nove, entre dez estrelas. E seguia,
dançando pernas ao som de assobios de bocas sedentas. Anete era assim. Uma flor
formosa e inteira. Um dia, para a tristeza de muitos, ela se mudou não se sabe
para onde e ninguém do lugar nunca mais a viu.
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[imagem: via robert f.]

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